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Eu sempre quis ser jornalista. Digo, sempre não, mas desde que eu comecei a pensar numa profissão séria para a minha vida. Na verdade me lembro exatamente do momento em que eu resolvi que eu seria jornalista. Num domingo à tarde, depois do almoço, meu pai costumava colocar filmes em preto e branco para assistir um pedaço e tirar um cochilo depois. Eu devia ter uns 12 anos. Naquele domingo, o filme em cartaz na nossa sala de TV era A Primeira Página, de 1974, com a dupla Jack Lemmon e Walter Matthau. O filme se passa numa redação de jornal, e a atuação dos atores é ótima. Mas o que mais me chamou a atenção foi logo o início, que mostra o funcionamento completo de um jornal da época, com máquinas de escrever,xícaras de café, linotipos e cigarros. Achei aquilo fantástico, e quis, no mesmo instante, fazer parte daquele universo estereotipado dos jornalistas. A minha família também tem alguns jornalistas, mas isso não me influenciou, pelo contrário, várias vezes ouvi deles que o jornalismo é uma profissão ingrata e que não se ganha dinheiro com isso. Enfim, não levei muito em consideração. O meu avô era professor de datilografia, e todos os seus 12 filhos sabem datilografar com rapidez e perfeição em máquinas de escrever. Na minha casa tinha uma Remington velha do meu avô, e eu pedi para o meu pai me ensinar a datilografar. Já tínhamos computador, mas a graça era ser jornalista com máquina de escrever. Aprendi, mas até hoje não tenho forças para usar o dedinho. Com 17 anos, prestei vestibular para jornalismo, mas não passei. Fui fazer marketing e me formei. O meu pai achava que fazendo marketing eu poderia escrever sem ser bicho-grilo. Outra visão estereotipada. Fiz, e, claro, não era o que eu queria. Fui prestar outra vez e passei. Fiz três anos, fui trabalhar em televisão e me encontrava exatamente onde eu queria, quando tive que parar. Como não passei na UEL (nem tentei na segunda vez), me c asei e ganhei várias contas que antes eu não tinha, tranquei a matrícula e deixei jornalismo em stand by. Mas hoje, quando meu pai veio me mostrar o DVD que tinha comprado – A Primeira Página – percebi que a minha vida está ali, pausada, entre uma página e outra,entre goles de café e textos rabiscados, e eu preciso voltar com urgência para ela.

Publicado em 09 de julho de 2008 às 20:21 por fernandamendonca

Comentários

    • Olha Fernanda, se eu tivesse lido seu texto há uns 2 meses provavelmente diria que jornalismo não tudo aquilo que você está pensando e que a melhor coisa para você era ficar onde está, já que ganha bem melhor e tem mais chances de "crescer".
      Mas, hoje eu estou reapaixonada pela minha profissão e concordo que se é isso que você sonha em fazer... vai fundo!

      Boa sorte!
    • por mazimendes
    • 10.Jul.2008 às 06:03 - Permalink - Reportar
    mazimendes
  1. janavila
  2. mazimendes
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